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Janeiro Branco



Com seu início em 2014, a campanha Janeiro Branco visa engajar profissionais e disseminar informações a respeito da saúde mental e seus principais desafios. A epidemia de COVID-19 iniciada em 2020 trouxe um novo holofote para o assunto e também novos obstáculos. Assim, a 8ª Edição da campanha tem como tema: “Janeiro Branco: todo cuidado conta”, buscando abordar as consequências da pandemia e suas ramificações na saúde mental dos indivíduos.


A ocorrência de grande número de doentes e mortes e de enormes prejuízos econômicos no contexto de uma epidemia ou pandemia gera um alto risco psicossocial. Uma abordagem racional na atenção de saúde mental implica em reconhecer as diferenças de vulnerabilidade dos diferentes grupos populacionais, em especial as relacionadas com o gênero, idade e nível socioeconômico. Existem também riscos de origem ocupacional, como para os próprios membros das equipes de resposta que trabalham na linha de frente do combate. Outro ponto importante são os indivíduos com transtornos mentais graves que podem ter suas condições agravadas durante o período.

As perdas vividas podem ter efeitos diferenciados nas populações do sexo masculino e feminino. Os padrões sociais e culturais determinam que homens e mulheres reajam de maneira diferente. Por exemplo, os homens tendem a reprimir as emoções dolorosas e sua expressão é interpretada como uma fraqueza. Sua resposta emocional pode ser a ingestão exagerada de álcool ou comportamentos violentos.


As mulheres tendem a se comunicar mais facilmente entre si e expressar seus temores e buscar apoio e compreensão para si mesmas e seus filhos. Já os idosos podem correr o risco de se ver em situações de vulnerabilidade como resultado de doenças crônicas e incapacitantes, de estarem isolados e de não disporem de redes de apoio familiar e social.

Um grupo especialmente vulnerável são os membros das equipes de resposta que trabalham na linha de frente, como médicos, enfermeiros, técnicos, fisioterapeutas, entre outros. Estes merecem um cuidado especial pois os sentimentos de angústia e sobrecarga se fazem extremamente presentes, principalmente no constante contato com a morte durante a pandemia


Outro grupo vulnerável pode ser as crianças, que costumam ter uma menor compreensão do evento traumático e enfrentam limitações para comunicar o que sentem. Algumas crianças negam completamente ou se mostram indiferentes quando são informadas de terem perdido um ou vários de seus familiares. O impacto emocional é tão grave que com frequência não falam sobre o que viveram. Alguns adultos podem assumir que a criança tenha esquecido, mas não é assim; elas são capazes de lembrar e contar experiências traumáticas vividas quando seus sentimentos de medo estiverem sob controle.


Para lidar com tais eventos, é importante que certas medidas sejam tomadas, para a população em geral são orientados os seguintes pontos:


- Cuidado com certas informações: o consumo de informações falsas, as chamadas “Fake News” devem ser evitadas ao máximo, sempre verificando fontes quando possível;


- Rotina: Apesar de muitas pessoas trabalharem no chamado “Home Office”, ainda é importante manter uma rotina equilibrada, incluindo momentos de relaxamento e descontração;


- Conexão: se conectar com familiares e amigos é de extrema importância, sempre levando em consideração os meios de comunicação digital para fazê-lo;


- Bem-estar: Manter uma rotina com dieta equilibrada e exercícios, mesmo que em casa, são fundamentais para a manutenção da saúde mental.


Para os profissionais de saúde, algumas medidas mais específicas são necessárias, como: Incentivar a rotatividade de funções e organizar adequadamente os horários de trabalho; Criação de espaços para a reflexão, catarse, integração e sistematização da experiência; Reconhecer o sentimento de raiva expresso por alguns, não como algo pessoal, mas como expressão de frustração, culpa ou preocupação; Estimular que se manifesta entre a equipe o apoio, a solidariedade, o reconhecimento e a gratidão mútua. E sempre que possível, as equipes devem passar por um processo de atenção ou acompanhamento psicológico em grupo.

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